Eu penso muito na minha relação com a fé, e às vezes acho até engraçado. Como posso me considerar uma pessoa de fé, se vivo desesperado com as coisas? Quanto mais eu me desespero diante de uma situação, mais percebo o quanto minha fé é instável. Ou talvez nem exista.
Porque fé, ao contrário do que muita gente pensa, não é dizer “vai dar certo” com um sorriso no rosto. Fé é seguir mesmo quando tudo indica que não vai. É caminhar no escuro, tropeçando, sem saber onde vai parar — mas ainda assim, continuar andando.
Não acho que o conceito de fé seja maleável. Não acho que ela se encaixe ao nosso humor do dia. ou você tem, ou você não tem. E bom… se eu duvido, se me desespero, se perco a minha própria estabilidade, então talvez eu ainda esteja aprendendo a ter fé.
Veja: se eu passo por uma dificuldade, deus sabe o porquê disso. Tudo está nas mãos dele. E se eu olhar com atenção, com honestidade, vou perceber que ele nunca me abandonou. Mesmo nos dias em que eu gritei por dentro, mesmo nos dias em que chorei em silêncio. Ele estava ali. Principalmente quando eu não o via, nem o sentia.
Mas é difícil, né? Difícil manter a fé quando tudo desmorona. Quando você ora, pede, clama — e parece que nada muda. É aí que muitos de nós fraquejam. E talvez seja aí, justamente aí, que a fé começa a nascer. Não no milagre, mas no silêncio. Na espera. Na dor que a gente atravessa sem entender.
Acreditar, ou ter fé, não é viver na inércia. Não é sentar e esperar. É seguir em frente, mesmo com o coração apertado. É levantar todo dia, fazer o que precisa ser feito, mas acreditando — ainda que, no fundo do fundo — que deus está vendo. E cuidando.
A fé, no fim das contas, é a antítese do desespero. É a serenidade em meio ao caos. É o alicerce na tempestade. É aquela calma inexplicável que não vem de você, mas que te segura em pé quando tudo desaba.
Fé é confiar. Mesmo sem provas. Mesmo sem respostas. É saber que a vida tem um propósito maior do que o que os olhos conseguem enxergar.
Talvez eu não seja tão digno assim das graças de deus. Talvez eu tenha errado demais, duvidado demais, reclamado demais. Mas sei, lá, no fundo, que ele nunca vai deixar um filho — sim, eu mesmo, e todos vocês — desamparado. Porque um pai ama um filho. Mesmo quando o filho se afasta, mesmo quando o filho não entende.
E talvez esteja na hora do filho também aprender a amar e confiar no pai.
Que esse ano, a palavra para mim seja essa: fé. Não uma fé perfeita, não uma fé blindada, mas uma fé viva. Que cresce na dúvida, amadurece na dor e floresce na esperança.
@enricopierroofc