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 Inclusão corporativa além do post

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Nesse mês do orgulho LGBTQIAP+ gostaria de celebrar as inúmeras conquistas na inclusão da nossa comunidade no meio corporativo, ainda que as políticas de diversidade não sejam realidade em muitas organizações até hoje. Todavia, ao refletir quanto à minha trajetória e experiência profissional, tenho conforto em afirmar que vivi significativas e positivas mudanças.

Há quase uma década a minha primeira reação, quando percebi que a transição social do meu gênero seria a única alternativa para eu restabelecer minha saúde e bem estar, foi comunicar a minha demissão à organização. Na época, nem passava pela minha cabeça que poderia ser eu a primeira executiva abertamente trans do nosso país e que seguiria a minha carreira naquela mesma empresa.

Sem deixar de considerar a forte insegurança que provavelmente ainda cerca alguém que se encontre hoje na mesma situação em que estive, tenho tranquilidade em afirmar que, em muitos contextos, é possível vislumbrar a transição no próprio ambiente de trabalho.

Outro exemplo são os planos de saúde para casais LGBTQIAP+. Este é um tema que já ouvi em um passado nem tão distante que poderia existir resistência de certas empresas quanto a inclusão de dependentes. Para mim, bastou preencher um formulário para, assim, incluir a minha esposa no plano de saúde.

Neste momento estamos considerando um processo de adoção. Tenho tranquilidade em saber que se um dia eu entrar com um pedido de licença maternidade, sendo eu uma mulher trans, ele será simplesmente concedido — como seria para qualquer outra mulher que ali trabalha. Vejo, ainda, colegas falando de seus relacionamentos LGBTQIAP+ com naturalidade — algo que jamais imaginei.

Alcancei recentemente uma das posições mais altas para alguém que possui uma carreira em serviços profissionais como a minha, tornei-me sócia. No passado, nem em meus sonhos, imaginaria que um dia abriria o jornal e lá estaria escrito: “Danielle Torres é sócia de Risk Management”.

Com tantos pontos a celebrar gostaria de poder encerrar aqui este artigo. Porém, o que me toca com tristeza é perceber que sou, na verdade, uma privilegiada. Trabalho para uma organização de vanguarda quando o assunto é diversidade e que foi extensivamente premiada nesse sentido. Logo, reconheço que essa não é a realidade de muitos profissionais.

Concluo esta conversa propondo uma reflexão para você, leitor. Como está o tema de inclusão e diversidade, em especial da comunidade LGBTQIAP+, na sua empresa? Acredito que a resposta deveria envolver a presença e o reconhecimento da importância de grupos de afinidade, se o tópico é parte da agenda da diretoria, como está a comunicação da organização nesse sentido e também o censo de profissionais LGBTQIAP+ que ali trabalham, inclusive em posições de liderança.

Será que os funcionários da sua organização teriam orgulho e tranquilidade para escrever um relato como o que aqui fiz? Espero que sim, e aproveito para desejar um feliz mês do orgulho LGBTQIAP+ para todos.

Por Danielle Torres.

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